19 de fev de 2013

Doce amargo.


Já fazia tanto tempo que ele cobria seu rosto entre meio suas mãos naquele dia que seus olhos estavam inchados ao levantar-se para contemplar as luzes da cidade que invadiam aquela varanda, de tão longe estava à parecer um formigueiro fervilhando na madrugada, vivo entre meio as sombras que não cessavam em desaparecer com mais um feixe de luz que invadia os cantos entre meio aos becos escuros da cidade, mas seus pensamentos não estavam a visitar a cidade, muito menos as luzes ou as estrelas que tintilavam os céus iluminando os desavisados.
Seus pensamentos se concentravam em uma única direção, sua mente, seus lábios, seus sorrisos e seus olhares se reservavam em segredo para um único lugar, para aquela pequena qual ele não conseguia dizer, não sabia se suas palavras sumiam ou se seu orgulho retirado à dormir quando ele se encontrava só aparecia como um tirano para requirir-lhe o silêncio quando ele sentia que as palavras sairiam como vento em um dia de verão.
O coração estava a batimentos desconexos, seu cérebro estava à latejar de manter um único pensamento por tanto tempo, faziam... dias? meses? anos? Ele não sabia à quanto tempo conhecerá a dor qual lhe invadira o peito de tal forma que até mesmo respirar parecia doer, mas desta forma respirar fundo lhe causava sensações bravas, a dor qual estava a consumi-lo estava a apegar-se de tal forma, que até mesmo os pensamentos mais dolorosos faziam seus lábios se retraírem em um sorriso.
Alguns diziam que era o desespero estampado em seu rosto, que quando não se sabia lidar com o frio no estômago fazia-se o coração gelar. 
Eles chamavam de dor, tristeza, loucura ou obsessão. Mas ele só conseguia pensar em uma frase... a única sensação que envolvia-o em um ciclo qual não sabia escapar, era bom, mas parecia melhor ruim, era um doce amargo, um doce amargo sem fim.


By: A. G.